Antigamente, se pensarmos um pouco a forma de uma instituição financeira ter acesso aos dados das pessoas era uma coisa muito burocrática, não é mesmo? Estas informações ficavam restritas apenas nos bancos a pessoa é cliente. Desta forma, apenas esta empresa conseguia saber quais são os seus gastos mensais e quanto é o seu salário, por exemplo. Em 2021, o Banco Central (BC) lançou o Open Banking. Explicaremos mais sobre este termo.
Muitos clientes de bancos ainda estão com dúvida sobre o sistema integrado de compartilhamento de dados, chamado Open Banking ou Open Finance. Se você é uma destas pessoas, vamos te ajudar explicando neste texto mais detalhes sobre o assunto.
Quando vamos traduzir, de maneira literal, o termo Open Banking quer dizer “Sistema Financeiro Aberto”, ou seja, os bancos terão acesso a contas e operações de crédito. Mas, claro, que esta operação só acontece se o cliente autorizar e o tempo também pode ser determinado.
De acordo com o BC, a intenção é trazer uma melhoria na avaliação de crédito e, consequentemente, estimular uma concorrência maior no sistema financeiro, oferecendo produtos mais baratos e adequados para cada tipo de cliente.
O principal conceito do Open Banking é que os dados são dos clientes e não das instituições financeiras e é, por isso, que ele é quem escolhe o que fazer com o “material”.
Importante deixar de curiosidade que o Brasil não é único país que tem a opção de Open Banking. O pioneiro no assunto foi o Reino Unido que realizou a implementação em 2018 e já possui mais de 3 milhões de consumidores, segundo um estudo divulgado pelo Instituto ProPague em 2021. A Austrália, por exemplo, começou a oferecer o serviço em julho de 2022. Estados Unidos, Rússia e Canadá ainda estão avaliando as melhores formas de realizar a implementação no sistema bancário.
Não existe uma regra igual para todos os países. Desta forma, cada país pode adotar a melhor forma de fazer a liberação para acontecer o compartilhamento dos dados.
Segundo uma pesquisa solicitada pela Quanto, que é uma plataforma de Open Banking, em conjunto com a Aster Capital, 65% dos brasileiros compartilhariam os seus dados para terem melhores taxas.
Saiba mais sobre o Open Banking
O sistema compartilhado de informações financeiras têm um padrão, ou seja, todas as empresas têm acesso ao dado da mesma forma. Isso acontece graças a uma plataforma integrada e segura (API – interface de programação de aplicativos). Assim, a instituição consegue entender a necessidade do cliente e oferecer um produto mais qualificado.
Desta forma, nenhuma empresa fica com a informação de forma “privilegiada”. Antes da opção do Open Banking, quando o cliente optava por mudar de banco, perdia o histórico financeiro com aquela instituição. Com esta tecnologia, está tudo gravado no sistema e você pode “levar” o histórico para qualquer banco sem precisar criar um relacionamento do zero.
Se você optar pela Open Banking também terá a possibilidade de acessar um saldo de um banco B pelo aplicativo do banco I, por exemplo. Facilita bastante, não é mesmo? Lembrando que o processo é feito totalmente no ambiente digital e dentro de um ambiente seguro com supervisão do Banco Central.
Autorização para aprovar o compartilhamento dos seus dados no open banking acontece em três etapas:
- Consentimento: momento em que o cliente aceita que os seus dados sejam informados no período de até 12 meses;
- Autenticação: hora em que a autorização é registrada por todas as partes;
- Confirmação: última etapa é quando os dados começam a ser compartilhados e utilizados pelas instituições financeiras no período restrito pelo usuário.

Lembrando que o cliente poderá revogar a decisão a qualquer momento. Então, se quiser fazer um teste não será necessário cumprir nenhum período mínimo para voltar atrás na decisão. E tudo é feito através da internet.
Ah! Se você não aceitar as regras, o banco não pode tornar o serviço obrigatório.
Um ponto importante é você saber quais são estes dados que serão compartilhados. São eles:
- Estado Civil;
- Endereço;
- Faturamento;
- Quais são os produtos e serviços contratados;
- Históricos financeiros de até um ano;
- Ações transacionais como, por exemplo, dados sobre contas, limites, saldo, cartões de crédito e operações de crédito, dentre outros.
Outro detalhe essencial de pontuar é sobre se os bancos têm o direito de guardar os seus dados pensando na Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). O Banco Central deixa claro que as empresas só podem utilizar dos dados autorizados a serem compartilhados apenas para as finalidades determinadas.
Se por algum motivo a finalidade do uso dos dados for alterado, o cliente deve ser comunicado e, consequentemente, autorizar a utilização quando é aceito o Open Banking.
Conheça as vantagens de optar pelo Open Banking
O sistema compartilhado de informações financeiras têm um padrão, ou seja, todas as empresas têm acesso ao dado da mesma forma. Isso acontece graças a uma plataforma integrada e segura (API – interface de programação de aplicativos). Assim, a instituição consegue entender a necessidade do cliente e oferecer um produto mais qualificado.
Uma das principais vantagens de aderir ao Open Banking é que você terá maior domínio dos seus, tendo a opção de escolher qual será a forma utilizada pelas instituições financeiras. Assim, o usuário tem mais opções de benefícios quando procura por serviços e produtos financeiros focado na sua necessidade sem ter custo adicional.
Isso acontece porque este serviço faz com que aconteça uma maior competitividade entre os bancos, ocasionando diminuição de tarifas, por exemplo.
Quando o assunto é experiência do usuário, o Open Banking também faz com que o cliente economize tempo, principalmente, com deslocamentos, dentre outras tarefas necessárias. Uma ótima notícia, não é mesmo? Afinal de contas, tem dias que ele falta demais, concorda?
Além de pessoa física, empresas com PME ‘s podem aderir ao serviço para trazer ainda mais vantagens para o seu negócio, já que poderá ter ofertas de serviços financeiros com taxas menores. Fora isso, é possível ter oportunidades vindas do banco de forma personalizada.

Veja quais são os benefícios de escolher o Open Banking
Sempre priorizando a experiência do cliente, o Open Banking dá ao usuário a oportunidade de viver de forma inovadora, livre e conectada quando falamos em finanças. Veja alguns benefícios em escolher o Open Banking:
1 – O consumidor ter poder de escolha
Como falamos em algumas partes deste texto, o Open Banking traz uma liberdade ao consumidor e, além disso, mais autonomia quando vai contratar qualquer produto financeiro.
2 – Você controla os dados
O usuário está no centro do sistema, então, é ele quem vai decidir com qual instituição financeira ele fará o compartilhamento dos dados. E, claro, se vai compartilhar, já que não é obrigatório aceitar o serviço. Assim, ele poderá avaliar as melhores opções de aceitar o Open Banking.
3 – Variedade de serviços
O Open Banking faz com que as instituições financeiras queiram atrair o cliente e, com isso, acabam criando diversas oportunidades e serviços que sejam mais vantajosos para os consumidores. Desta forma, ele terá mais formas para escolher o que mais se encaixa na sua necessidade.
4 – Taxas reduzidas
Quem gosta de pagar taxas? Ninguém, não é mesmo? Com este serviço, as empresas, devido à grande concorrência, têm a tendência a diminuir as taxas para atrair mais clientes.
Quais serão os serviços oferecidos no Open Banking?
Vários serviços estarão à disposição dos consumidores que aceitaram fazer o compartilhamento de dados via Open Banking como, por exemplo, abertura de conta, empréstimos, dentre outros. Todos os serviços poderão ser solicitados de forma otimizada.
Vamos dar um exemplo na prática. Se você é um cliente de um banco A, mas quer fazer empréstimo com o B, porém, não é cliente. Com o Open Banking não tem problema e você conseguirá adquirir o serviço sem precisar ter um relacionamento com a instituição. A única coisa necessária é o banco ter acesso aos seus dados.
Saiba quais são as instituições financeiras que oferecem o Open Banking
São obrigadas a oferecer aos clientes o Open Banking as instituições que são classificadas como S1 (que significa aquelas que possuem porte igual ou maior que 10% do PIB ou tem uma atividade internacional relevante) e S2 (aquelas que têm porte entre 1% e 10% do PIB). Anote aí quais são:
- Bradesco;
- Banco do Brasil;
- Caixa Econômica;
- Santander;
- Itaú;
- Citibank;
- BNDES;
- Credit Suisse, dentre outras instituições financeiras.
Há ainda outras como, por exemplo, Nubank, Mercado Pago e Picpay, que também têm acesso ao Open Banking porque fizeram a adesão voluntária.
Existe alguma relação do Pix com o Open Banking?
Esta pergunta pode ter passado na cabeça, por isso, é importante esclarecer. A resposta é que a principal relação é as duas fazem parte de uma transformação digital que vem sofrendo os produtos financeiros.
Através do PIX, que é um pagamento instantâneo, é possível fazer transferência sem diferentes bancos sem nenhum pagamento de taxa, diferentemente do que antigamente era bem usando, o TED (Transferência Eletrônica Disponível).
Já o Open Banking, o cliente também faz uma transferência sem custos, porém, neste caso, são os seus dados, deixando o consumidor escolher a forma do compartilhamento dos seus dados.
Você já optou pelo Open Banking? Deixe aqui a sua experiência com esta novidade.