O algodão Pima e o Supima são matérias utilizadas em peças cuja qualidade é tida como superior em comparação aos algodões comuns. Saiba mais!

Recordemos que o algodão é uma fibra natural empregada largamente pela indústria têxtil como matéria-prima para diversos produtos. O valor que a fibra tem para a indústria de tecidos está relacionado ao seu comprimento. Fibras longas oferecem produtos finais com maciez, durabilidade e outros atributos que exploraremos adiante. Esse é um ponto relevante para compreender a diferença entre algodão Pima e Supima e porque eles se destacam em relação aos demais algodões comercializados.

algodão

Algodão Pima e Supima: quais são as diferenças?

Começaremos tratando do algodão Pima. Ele deriva da espécie de algodoeiro chamada Gossypium barbadense. A planta é nativa do Peru, local que apresenta as condições climáticas ideais e estáveis que promovem um bom cultivo.

O termo “algodão Pima” é associado, geralmente, ao algodão Pima cultivado no norte do solo peruano. Enquanto o Supima refere-se ao algodão Pima proveniente dos Estados Unidos, como iremos esclarecer mais adiante.

O que diferencia o algodão Pima?

A característica que diferencia esse algodão dos demais é sua longa extensão. Como adiantamos, esse é um fator chave para a qualidade do algodão.

algodão pima

Fibras extra longas

Segundo o pesquisador Luiz Paulo Carvalho da Embrapa Algodão (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), existem quatro classificações dadas às fibras de algodão. Todas são baseadas na extensão medida em milímetros ou polegadas. Há as fibras extra longas, longas, média e curtas.

O algodão Pima encaixa-se na categoria extra longo. Coletamos informações provenientes da Creditex, empresa peruana que produz tecidos com fios de algodão Pima, para listar as propriedades do material.

A extensão do fio varia entre 3,8 cm e 4,12 cm. Em contrapartida, fibras consideradas médias e longas apresentam comprimentos de 2 cm a 3,4 cm, aproximadamente. A extensão resulta em produtos finais que são altamente resistentes, duráveis e delicados.

As fibras igualmente apresentam fios finos e uniformes. A colheita costuma ser feita manualmente para manter a pureza e não danificar o algodão Pima.

Matéria para produtos de luxo

Por isso, como revelam dados levantados pela Coteminas e Cotton Consultoria e divulgados em 2015 no site da Embrapa, os fios extra longos (3,49 cm a 4,1 cm) — como os Pima —  são aplicados para confecção de artigos nobres e linhas de costura.

Os de médio comprimento (2,8 cm a 3,12 cm) estão relacionados à fabricação de malharia e os longos (3,13 cm a 3,48 cm) são empregados na produção de camisaria fina. Portanto, a natureza extralonga da fibra Pima gera produtos de qualidade superior, fato que reverbera nos preços das peças de vestuário, cama e banho feitas com esse algodão. Outro diferencial que aponta para sua qualidade e alto custo é a porcentagem de algodão Pima produzida mundialmente.

De acordo com o pesquisador da Embrapa Algodão, 97% de todo algodão produzido ao redor do mundo é caracterizado como fibras de extensão curta e média. Os 3% restantes correspondem às fibras longas e às extra longas. Elas são produzidas no Egito (país famosos por cultivo de algodão de qualidade), Estados Unidos e Peru. Os dois últimos são os lares dos algodões Pima.

O que é algodão Supima?

O termo “Supima” é uma marca registrada que pertence à organização não-governamental de mesmo nome. A Supima tem como objetivo central apoiar e promover a comercialização do algodão Pima produzido em solo norte-americano.

A associação foi criada no ano de 1954, em El Paso, cidade do estado do Texas e seu nome, “Supima”, é resultado da junção das palavras “superior” e “Pima”. A ONG define seu produto como sendo um tipo de algodão superior que cresce nos Estados Unidos da América. O algodão Supima representa, segundo declarado no site, menos do que 1% do algodão cultivado no planeta.

Supima diz que o que torna o algodão Supima único é a sua fibra “extra-long stapler” (ELS). A palavra “stapler” se refere ao comprimento individual das fibras. Assim, o diferencial do Supima seriam suas fibras extra longas que lhe dão propriedades “premium”, como força, maciez e retenção de cor. O site também aborda a diferença entre Pima e Suprima na sua seção de “Dúvidas frequentes” (FAQ).

Para a associação, no contexto do Estados Unidos, o termo “Pima” é comumente utilizado no setor de varejo para se referir a algodões “melhores” que os normais. Portanto, isso não significa que eles são feitos de fibras extra longas.

Uma vez que “Supima” é uma marca registrada, os produtos feitos de algodão Pima só podem ser vendidos sob o termo “Supima” se forem licenciados pela ONG Supima — que os analisa a fim de atestar sua qualidade e se seu plantio é realizado 100% nos Estados Unidos.

Conclusão

Com base nas informações que levantamos acima, podemos afirmar que a diferença entre o algodão Pima e Supima está relacionada ao local onde o algodão Pima foi produzido e se ele está sob a chancela da ONG Supima.

A espécie de algodoeiro da qual a fibra extra longa é extraída é a mesma. Fato que confere os mesmos atributos excelentes aos algodões Pima e Supima. Ambos algodões são aplicados na produção de peças nobres com alta qualidade, durabilidade entre outras características que já abordamos.

Mas, legalmente, só os produtos que tenham como matéria-prima o algodão Pima cujo processo de plantio e cultivo foi realizado exclusivamente nos Estados Unidos e licenciado pela associação Supima pode ser comercializado utilizando o termo “supima”.

Esperamos que esse post tenha esclarecido para você a diferença entre o algodão Pima e o Supima.

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